Bloqueio de nervos da cabeça pode interromper uma crise de enxaqueca? Entenda o procedimento

  • 03/08/2026
(Foto: Reprodução)
Michelle Bolsonaro publica foto internada em hospital Instagram/Reprodução A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou por um bloqueio anestésico dos nervos cranianos e pericranianos para tratar um quadro persistente de dor de cabeça. A informação foi divulgada pela assessoria dela no domingo (2). Michelle havia sido internada no sábado (1º) para realizar exames que investigavam episódios recorrentes de enxaqueca. O procedimento foi feito diante da persistência das dores. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Mas como esse tipo de bloqueio funciona? Onde o anestésico é aplicado, quanto tempo o efeito pode durar e em quais casos a técnica costuma ser indicada? Entenda mais abaixo. O que é o bloqueio e como ele age? O bloqueio anestésico consiste na aplicação de uma pequena quantidade de anestésico local perto de um nervo que participa da transmissão da dor. Em alguns casos, o médico também pode usar um corticoide junto com o anestésico. ➡️ Apesar do nome, a técnica não envolve uma injeção no cérebro nem exige qualquer abertura do crânio. A agulha atravessa apenas a pele e deposita o medicamento ao redor do nervo escolhido. O objetivo é interromper temporariamente os sinais de dor que passam por aquele nervo. Com menos estímulos chegando ao sistema nervoso, os circuitos que ajudam a manter a crise podem reduzir sua atividade. Isso não significa que a causa da enxaqueca tenha seja eliminada. O bloqueio funciona principalmente como uma tentativa de interromper o ciclo da dor, sobretudo quando a crise se prolonga ou não responde aos medicamentos habituais. 📝 Na prática, o procedimento pode ser usado para: diminuir a intensidade da dor; interromper uma crise prolongada; reduzir temporariamente a frequência dos episódios; ajudar o paciente enquanto outro tratamento começa a fazer efeito. O alvo mais frequente é o nervo occipital maior, localizado na parte de trás da cabeça. Ele sai da região superior do pescoço e leva sensibilidade a uma grande área do couro cabeludo. Também podem ser bloqueados nervos que passam pela testa, pelas sobrancelhas, pelo canto interno dos olhos e pelas laterais da cabeça. ☝️ A escolha depende principalmente de onde a dor se concentra. Uma pessoa com dor predominante na nuca pode receber um bloqueio diferente de outra que sente a crise ao redor dos olhos ou na testa. Embora a expressão “nervos cranianos” seja usada para descrever o procedimento, parte dos nervos tratados fica ao redor do crânio ou tem origem na região cervical. Por isso, também se utiliza o termo “nervos pericranianos”. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Materiais de hospitais universitários ligados ao sistema público de saúde do Reino Unido, o NHS, citam o bloqueio como opção para alguns pacientes com enxaqueca, cefaleia em salvas, neuralgia occipital e outros tipos de dor de cabeça ou na face. A enxaqueca é uma doença neurológica, e não apenas uma dor de cabeça comum. Além da dor pulsante, pode causar náusea, vômito e maior sensibilidade à luz, aos sons e aos odores. Agora no g1 Quando é indicado e como o procedimento é feito? O bloqueio costuma ser considerado quando a dor é intensa, frequente ou prolongada e não melhora com os tratamentos usados normalmente. Também pode ser uma alternativa quando o paciente não pode tomar determinados medicamentos ou apresenta muitos efeitos colaterais. Entre as situações em que a técnica pode ser avaliada estão: enxaqueca; cefaleia em salvas; neuralgia occipital; dores relacionadas ao pescoço; crises prolongadas; algumas dores de cabeça após traumatismos. Uma crise de enxaqueca pode durar de algumas horas a até três dias. Quando se prolonga por mais de 72 horas, o quadro pode ser classificado como status migranoso e normalmente exige avaliação especializada. ⚠️ Uma dor persistente, contudo, nem sempre é causada por enxaqueca. Antes de indicar o bloqueio, o médico precisa avaliar os sintomas e descartar outras causas, principalmente quando a dor é diferente do padrão habitual do paciente. O procedimento pode ser realizado em consultório, ambulatório ou pronto-socorro. O paciente normalmente permanece sentado, acordado e consciente durante toda a aplicação. O médico identifica o trajeto do nervo por meio da anatomia e da região em que o paciente relata maior dor ou sensibilidade. Depois da limpeza da pele, uma agulha fina é usada para aplicar uma pequena quantidade de anestésico. ➡️ A aplicação em si costuma levar apenas alguns minutos. Dependendo do caso, mais de um nervo pode ser tratado na mesma sessão. Após o procedimento, o paciente geralmente fica em observação por um período curto. Materiais dos hospitais universitários de Leeds e Cambridge (Reino Unido) indicam tempos que variam de cerca de 10 a 30 minutos. Na maioria dos casos, o bloqueio não exige internação. A pessoa pode sentir a picada da agulha, pressão, ardência ou desconforto enquanto o medicamento é aplicado. Também pode surgir dormência temporária, sensibilidade ou um pequeno inchaço no local. No bloqueio do nervo occipital, por exemplo, a pessoa pode perceber um pequeno volume na nuca logo após a injeção. Ilustração mostra pontos de aplicação de bloqueios anestésicos em nervos da cabeça e da face, técnica usada para aliviar alguns tipos de cefaleia e dor facial. Heringer, Shah e Narouze/Springer Nature Quanto tempo o efeito pode durar? O anestésico costuma começar a agir rapidamente. Algumas pessoas percebem melhora logo depois da aplicação, enquanto outras só sentem redução da dor após dois ou três dias. ⌛ O efeito direto do medicamento geralmente dura algumas horas. Mesmo assim, o alívio pode continuar por dias ou semanas, porque o bloqueio pode ajudar a interromper o ciclo de sinais que mantém a crise. A resposta varia de pessoa para pessoa. Há pacientes que melhoram bastante, outros que sentem alívio parcial e aqueles que não respondem ao procedimento. Segundo o Cambridge University Hospitals, cerca de dois terços dos pacientes com dores de cabeça crônicas ou incapacitantes apresentam algum benefício temporário com o bloqueio do nervo occipital maior. Aproximadamente um terço não tem melhora considerada útil. 📝 Os próprios serviços de saúde ressaltam que muitos estudos foram feitos com grupos pequenos. Por isso, ainda não é possível prever com segurança quem responderá melhor nem por quanto tempo o efeito permanecerá. O bloqueio também pode ser repetido quando o alívio é parcial ou a dor retorna. Quando há corticoide na aplicação, serviços britânicos recomendam intervalos de três a quatro meses entre os procedimentos. Quais são os riscos e cuidados? O bloqueio é considerado pouco invasivo e, em geral, causa efeitos leves e passageiros. Os mais comuns são: dor ou ardência no local; dormência temporária; pequeno hematoma; tontura; sensação de desmaio; desconforto no pescoço; piora passageira da dor. ⚠️ Infecções e reações alérgicas ao anestésico são raras. Quando há corticoide, pode ocorrer afinamento da pele ou queda de cabelo em uma pequena área próxima à aplicação. Pessoas que usam anticoagulantes ou outros medicamentos que interferem na coagulação devem avisar o médico, porque podem ter maior risco de sangramento. Esses remédios não devem ser suspensos sem orientação. ➡️ O bloqueio não cura a enxaqueca nem impede necessariamente novas crises. Ele pode fazer parte de um tratamento mais amplo, com acompanhamento médico, medicamentos e mudanças de hábitos. O uso excessivo de analgésicos também pode tornar a dor mais frequente. Dores súbitas e muito intensas, acompanhadas de alteração da visão, confusão, desmaio, febre, rigidez na nuca ou fraqueza exigem atendimento médico.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/08/03/bloqueio-anestesico-nervos-cranianos-pericranianos-entenda.ghtml


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