Cantor cego que viralizou com música para Vinícius Júnior estreia no São João de Campina Grande: ‘Enfrentei rejeição e preconceito’
01/07/2026
(Foto: Reprodução) Cantor cego que viralizou com música para Vinícius Júnior estreia no São João de Campina Grande com show adaptado e relembra dificuldades
Maria Eduarda Batista/g1
Depois de conquistar milhões de reproduções nas plataformas digitais e viralizar nas redes sociais com a música ‘Baile do VJ’, em homenagem ao jogador da Seleção Brasileira Vinícius Júnior, o cantor baiano Eduardinho dos Teclados estreia no palco principal do São João 2026 de Campina Grande nesta quarta-feira (1º).
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Natural de Eunápolis, no sul da Bahia, Eduardo Costa da Silva é cantor, tecladista e deficiente visual. A apresentação marca a primeira participação do artista na programação d’O Maior São João do Mundo e também reforça a presença de artistas com deficiência visual em um dos maiores eventos culturais do país.
Em entrevista ao g1, Eduardinho afirmou que subir ao palco principal do Parque do Povo representa a realização de um sonho.
“Fico muito feliz e realizado por saber que as pessoas estão gostando do meu trabalho e por eu poder me apresentar no Maior São João do Mundo”, disse.
Com deficiência visual desde os primeiros meses de vida, Eduardinho conta que o maior desafio no início da carreira não esteve na música, mas no preconceito.
“Primeiramente, enfrentei rejeição, perseguição e preconceito. Fui muito desacreditado pelos contratantes no começo. Eles não me contratavam por eu ser um projeto pequeno e por causa da minha deficiência”, relembrou.
Agora no g1
A relação do cantor com a música começou ainda na infância. Aos cinco anos, ele começou a tocar cavaquinho e, aos 15, ganhou o primeiro teclado, instrumento que mudaria sua trajetória e daria origem ao nome artístico pelo qual ficou conhecido.
O reconhecimento nacional veio neste ano, após o lançamento de “Baile do VJ”. A música viralizou na internet e impulsionou a carreira do artista.
“Mudou muita coisa, inclusive a forma como outras pessoas passaram a me tratar como um verdadeiro artista”, afirmou.
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Logística de palco e representatividade
Eduardinho dos Teclados
joaohenrique.mkt/Divulgação
Para garantir segurança durante as apresentações, a equipe prepara previamente um “mapa de palco”, pensado para facilitar a orientação do cantor e tornar a estrutura o mais simples e acessível possível.
No início do show, o artista é acompanhado até o teclado por um integrante da equipe responsável por posicioná-lo no palco.
Durante a apresentação, a comunicação continua por meio de um ponto eletrônico. Pelo fone, a equipe orienta o artista sobre o que acontece durante o show, informa a reação do público e repassa outras informações que ajudam na condução da apresentação.
“Passamos para ele tudo o que está acontecendo durante o show: se o público está animado, fazemos algumas resenhas descontraídas e também passamos algumas informações internas para apimentar ainda mais o nosso show”, explicou um dos produtores.
Ao longo da carreira, Eduardinho diz que passou a inspirar outras pessoas com deficiência a seguirem o sonho na música. Entre elas está Carlos Henrique, uma criança com deficiência visual que acompanha seu trabalho.
“Ele é meu fã, vai direto aos meus shows e já está aprendendo a tocar e cantar. É gratificante demais poder quebrar qualquer tipo de barreira por meio da música”, disse.
Ao falar com pessoas que sonham em seguir o mesmo caminho, Eduardinho busca deixar uma mensagem de incentivo para que as pessoas consigam a mesma influência e destaque na vida.
“Para aqueles que pensam em desistir, a mensagem que eu deixo é: continuem, porque, assim como Deus me abençoou, também vai abençoar eles. Da mesma forma que chegou a minha hora, também chegará a deles”, finalizou.
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