Conheça a história das antigas estações de trem que ajudaram no crescimento de Ribeirão Preto, SP
12/06/2026
(Foto: Reprodução) Conheça a história das estações de trens que ajudaram no crescimento de Ribeirão Preto, SP
Décadas antes do Terminal Rodoviário se tornar um dos principais pontos de circulação de Ribeirão Preto (SP), os trens ocupavam um papel central na mobilidade da cidade.
A história das antigas estações ferroviárias, como a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, em Ribeirão Preto desde 1983, e a Estação Barracão fundada em 1986, ajuda a explicar o desenvolvimento econômico do município, além da formação de bairros e a chegada de milhares de imigrantes ao interior paulista.
Esta reportagem faz parte da série 'Histórias Escondidas', uma produção especial da EPTV, afiliada da TV Globo, para celebrar os 170 anos de Ribeirão Preto, comemorados em 19 de junho. Curiosidades, personagens marcantes e fatos que pouca gente conhece ajudam a entender a trajetória de uma das cidades mais importantes do estado de São Paulo.
Companhia Mogiana
A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro chegou a Ribeirão Preto em 1883, impulsionada pela expansão da cafeicultura. Os trilhos desempenharam papel fundamental no crescimento da cidade, então conhecida como uma das principais produtoras de café do país.
A principal estação ferroviária funcionava na Avenida Jerônimo Gonçalves. Pelo local, desembarcavam fazendeiros, empresários e membros da elite ligada à economia cafeeira.
Estação Mogiana em 1920 em Ribeirão Preto
Jornal da Vila/Acervo
Segundo o artigo Imaginário moderno de Ribeirão Preto narrado pelas representações de estações da Cia. Mogyana, de Ana Teresa Villela e Rodrigo Minot, no auge da prosperidade econômica, a Companhia Mogiana encomendou, em 1917, um novo projeto para substituir a estação existente. O responsável foi o renomado arquiteto e engenheiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo, autor de importantes obras no estado de São Paulo.
O projeto previa uma estação com dimensões muito superiores às da estrutura existente. Mas, apesar da divulgação em jornais da época, a obra nunca foi construída. Segundo os pesquisadores, a proposta chegou a ser apresentada como a futura estação da cidade, mas permaneceu apenas no papel e a estação original continuou em funcionamento até a década de 1960.
Em 1965, os trens de passageiros passaram a seguir para a nova estação, que ficava localizada fora da cidade. Em 1967, ela foi demolida para dar lugar ao atual terminal rodoviário, acompanhando a mudança das políticas de transporte no Brasil, que passaram a priorizar as rodovias em detrimento das ferrovias.
Foto da Estação da Mogiana em sua inauguração em 1965
Reprodução: EPTV
Estação dos imigrantes
Enquanto a estação central recebia passageiros ligados à elite econômica, outra parada ferroviária teve papel decisivo na história da imigração em Ribeirão Preto.
Localizada na região do atual bairro Ipiranga, a Estação Barracão, fundada em 1886, era o principal ponto de chegada dos imigrantes, especialmente italianos, contratados para trabalhar nas lavouras de café.
Estação Barracão, no Ipiranga, recebia imigrantes italianos que vinham para Ribeirão Preto para trabalhar na cafeicultura
Antonio Luiz/EPTV
Após desembarcarem, as famílias eram registradas e permaneciam em alojamentos temporários antes de seguirem para as fazendas da região. A importância do local foi tão grande que acabou influenciando a denominação dos bairros vizinhos.
O Ipiranga ficou conhecido popularmente como "Barracão de Cima", enquanto o Campos Elíseos passou a ser chamado de "Barracão de Baixo". Ambos os bairros cresceram a partir da chegada dos trabalhadores e pelas atividades ligadas à ferrovia.
Modernização incompleta
Décadas depois do projeto não executado de Ramos de Azevedo, a Companhia Mogiana voltou a planejar uma nova estação para Ribeirão Preto.
Em 1961, o arquiteto Oswaldo Bratke foi contratado para desenvolver um complexo moderno em uma área mais periférica da cidade. Mas, apenas a primeira, das três etapas previstas, foi construída e inaugurada em 1966.
O projeto buscava transformar a estação em um espaço multifuncional, com áreas de convivência, comércio e serviços. No entanto, a expansão nunca foi concluída.
Poucos anos depois, o transporte ferroviário de passageiros entrou em declínio e os investimentos passaram a se concentrar no sistema rodoviário.
Hoje, embora existam discussões e propostas de preservação da memória ferroviária, grande parte desse patrimônio permanece sem restauração. Ainda assim, vestígios desse passado podem ser encontrados na cidade, como a antiga locomotiva exposta no Parque Maurílio Biagi.
O local atualmente tem janelas quebradas, cacos de vidro espalhados pelo chão, paredes pichadas e mato alto
Reprodução: EPTV
*Sob a supervisão de Flávia Santucci
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