Cristiano Ronaldo, Messi e mais: quais os segredos para continuar como atleta de alto nível até os 40 anos

  • 17/06/2026
(Foto: Reprodução)
Máquina do futebol: Como o corpo mantém a alta performance Diversas características unem os craques Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. A qualidade inegável com a bola; o título de ídolo nos clubes europeus por onde passaram; o papel indispensável em suas respectivas seleções – só para citar algumas. E um aspecto em específico, que é comum aos dois, parece muitas vezes inatingível a meros mortais: uma performance esportiva de alto nível até a casa dos 40 anos. ➡️Para além de todos os números impressionantes, a dupla vai chegar à Copa do Mundo integrando a lista seleta de jogadores mais velhos a disputar a competição: Cristiano Ronaldo com 41 anos e Messi prestes a completar 39 anos. O croata Luka Modric, já com 40 anos, também deve entrar para esse grupo. Cristiano Ronaldo vai chegar à Copa do Mundo com 41 anos. Michael Probst/AP Mas quais fatores explicam a continuidade da carreira desses atletas até essa idade, ainda em alto nível? E mais: quais os segredos para continuar como jogador de alta performance até os 40 anos? 👉Os especialistas destacam que alguns pontos, que vão estar presentes ao longo dessa matéria, são essenciais para atingir esse resultado: O papel da genética e a qualidade técnica e tática desses poucos jogadores A disciplina e a rotina regrada dos atletas O avanço da medicina do esporte, especialmente da traumatologia Mas eles relembram que essa característica de longevidade na modalidade ainda é uma exceção entre os atletas. Ou seja, por mais que na Copa do Mundo haja alguns bons exemplos, isso não significa que há uma mudança na idade média dos jogadores, por exemplo. E por mais que eles possam servir de inspiração para uma vida mais ativa, o esporte de alto rendimento não é regra nem parâmetro para pessoas comuns. LEIA TAMBÉM: É possível viver até os 150 anos ou ser imortal? O que a ciência sabe sobre o limite da longevidade Perda de massa muscular: por que o melhor investimento para o futuro é começar a fazer uma reserva de músculos já Genética e nível técnico Lionel Messi também deve entrar para a lista de jogadores mais velhos a disputar uma Copa do Mundo, prestes a completas 39 anos durante a competição em 2026. Reuters Ainda que seja uma condição para poucos, os especialistas destacam que alguns fatores físicos e até de características técnicas desses jogadores podem contribuir para a extensão da carreira. Para Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da USP, a genética tem um peso importante nesse contexto, assim como muito do que envolve o esporte de alto rendimento. "Quando você pensa em um jogador como o Cristiano Ronaldo, por exemplo, que tem um físico bastante privilegiado em relação a outros jogadores, a genética de fato tem um papel bastante relevante e não pode ser subjugada em relação a outros fatores comportamentais", exemplifica o especialista. Segundo o especialista, a genética também tem peso considerável na resposta do atleta ao treinamento e na adaptação ao estímulo físico, algo que varia muito de pessoa para pessoa. "Eu posso até treinar como o Cristiano Ronaldo, mas dificilmente vou responder como ele. Porque isso envolve uma carga genética importante", comenta Gualano. Já Hamilton Roschel, fisiologista e professor da Faculdade de Educação Física e Esporte da USP, pontua que certamente pode existir um componente de influência genética, mas atualmente não há uma demonstração científica consistente que comprove essa relação. ➡️Ou seja, não é possível dizer que, se o atleta possui um determinado gene, ele tem maior predisposição a seguir performando em alto nível até a faixa dos 40 anos. Problemas de circulação, fraqueza muscular e depressão: os riscos de ficar muito tempo sentado Para ele, a qualidade técnica e tática desses jogadores é o que se sobressai e permite que eles continuem atuando em posições de destaque, mesmo já estando mais velhos. Isso porque o nível individual é tão alto nesses aspectos que, mesmo com a possível deterioração física ao longo da carreira, eles permanecem excelentes jogadores. "Alguns desses atletas são tão bons técnica e taticamente que, mesmo que ele mantenha uma performance física abaixo da que tinha no passado, isso ainda permite que ele siga em alto nível", compara o professor. Disciplina e recuperação Outro ponto de destaque que contribui para a longevidade desses atletas no esporte é a disciplina nos treinamentos e na recuperação. Por mais que todo jogador de alto nível encare um dia a dia intenso de treinos, a preocupação constante dessas exceções citadas com a alimentação, por exemplo, é essencial para que eles cheguem a competições como a Copa do Mundo – mesmo já aos 40 anos. 🥗No caso de Cristiano Ronaldo, ele adota a dieta mediterrânea, que, em geral, inclui alto consumo de vegetais, leguminosas, frutas, peixes e gorduras consideradas boas, como azeite de oliva. Além disso, prevê o baixo consumo de laticínios e carnes vermelhas. "O cuidado com o corpo é fundamental. Aqueles atletas que têm uma vida mais regrada e que, por sorte e precaução, não têm lesões muito graves tendem a conseguir uma carreira mais longeva dentro do esporte", analisa Gualano. E, nesse cenário, a recuperação e o controle de carga também são muito importantes. Roschel comenta que o controle de carga e a detecção antecipada de lesões ajudam muito a manter o jogador ativo a longo prazo. "As análises mais modernas de desempenho facilitam a elaboração de um cronograma de treinamento e prevenção de sobrecarga, focando muito mais no cuidado com o aspecto físico", afirma. Dieta mediterrânea pode reduzir risco de AVC, indica estudo com mais de 100 mil mulheres Evolução da medicina do esporte Além da composição física desses atletas e da disposição para cuidar do corpo com o objetivo de seguirem ativos pela maior quantidade de tempo possível, um fator externo também é fundamental nesse processo: a evolução da medicina esportiva. Os especialistas destacam especialmente o ganho tecnológico no campo da traumatologia, que atualmente consegue antecipar o retorno ao esporte após graves lesões. "Há pouco tempo, muitas lesões para as quais hoje existe um tratamento não eram manejadas corretamente, não existia um protocolo de retorno à prática", explica Gualano. 👉Um desses exemplos são os problemas no menisco. Se antes uma lesão nessa região podia, até, abreviar a carreira de um jogador, hoje ele já fica em pé no mesmo dia, a depender do procedimento realizado. Hamilton também lembra que o desenvolvimento técnico de equipamentos, como as chuteiras e a bola, o melhor cuidado com os gramados, além de tecnologias como monitoramento de desempenho têm papel importante nessa longevidade no esporte. Mas, mesmo com todas as evoluções, eles ponderam que não é suficiente para que a atuação em alto nível deixe de ser uma exceção, pelo menos por enquanto. De forma geral, essas medidas ajudam a proporcionar mais saúde ao longo da carreira, mas não mudam a idade média dos jogadores dentro das competições. E para o atleta amador, é possível? Os especialistas são categóricos ao dizer que o esporte de alto nível é um fenômeno totalmente diferente da prática eventual de atividade física, uma vez que o foco é performance e não necessariamente saúde. "Considerando a carga de treinamento à qual se submetem os atletas, treinamento e competição, o risco de lesões, o estresse psicológico, as restrições dietéticas, não dá para imaginar que o esporte é um tipo de saúde perfeito e de longevidade", analisa Gualano. Assim, a determinação desses jogadores pode servir de inspiração para uma vida mais ativa, mas não pode ser levada como regra por um atleta amador. "As pessoas querem treinar como atletas, sendo que elas têm vidas além disso, tem trabalhos CLT, se deslocam para isso. [...] A gente tem que lembrar que esses atletas se tratam de exceções, com características peculiares, e que isso não deve ser um modelo a ser seguido", alerta Roschel. A prática de exercício físico é benéfica em todas as idades, mas deve ser feita com orientação profissional, sem excessos e guiada por evidências científicas.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/06/17/cristiano-ronaldo-messi-e-mais-quais-os-segredos-para-continuar-como-atleta-de-alto-nivel-ate-os-40-anos.ghtml


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