Da 'arquitetura chavista' ao colapso econômico: por que os terremotos da Venezuela foram tão devastadores

  • 05/07/2026
(Foto: Reprodução)
Resposta lenta ao terremoto desgasta governo da Venezuela Os dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho deixaram um rastro de destruição no país. Até este sábado (4), o governo contabilizava quase 3 mil mortos e mais de 16 mil feridos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os tremores também deixaram mais de 15 mil famílias desabrigadas. Segundo estimativas da ONU, até 6,7 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pela tragédia. Além das vítimas, os terremotos provocaram danos a hospitais, escolas, edifícios residenciais, estabelecimentos comerciais e outras estruturas. Segundo o governo, 189 construções desabaram e outras 885 sofreram algum tipo de dano. Uma avaliação preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estima prejuízos de R$ 34,6 bilhões, sem considerar os custos da reconstrução. As buscas por sobreviventes continuam com a ajuda de equipes venezuelanas e de socorristas enviados por diversos países. Segundo o governo, mais de 30 mil trabalhadores participam das operações de resgate. Mas por que o terremoto na Venezuela foi tão devastador? Alguns fatores podem explicar: o país foi atingido por um terremoto duplo; parte das construções era mais vulnerável aos tremores; a crise enfrentada pela Venezuela dificultou a resposta ao desastre. 👉 Veja, a seguir, detalhes sobre cada um desses fatores. O terremoto duplo Equipes de resgate trabalham no local de um complexo de edifícios que desabou após os terremotos de 24 de junho, em La Guaira, Venezuela REUTERS/Ricardo Arduengo Os terremotos que atingiram a Venezuela tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5 e ocorreram em um intervalo de menos de um minuto. Para os sismólogos, eles formam o que é conhecido como um terremoto duplo. Nesse tipo de evento, dois terremotos principais acontecem em sequência, com magnitudes semelhantes e epicentros próximos. Diferentemente de uma sequência comum, em que um grande terremoto é seguido por réplicas menores, os dois tremores liberam quantidades comparáveis de energia. Segundo análises do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), embora tenham ocorrido próximos um do outro, os terremotos tiveram origem em falhas geológicas diferentes. Isso significa que ambos devem ser considerados eventos principais. A diferença de apenas 0,3 ponto na escala de magnitude pode parecer pequena, mas a escala é logarítmica. De acordo com o USGS, o terremoto de magnitude 7,5 liberou cerca de três vezes mais energia do que o de 7,2. Na prática, o primeiro tremor já havia danificado edifícios e outras estruturas. Quando o segundo terremoto atingiu a região poucos instantes depois, construções que haviam sido enfraquecidas sofreram novos impactos, aumentando o risco de colapso. Outros fatores naturais também contribuíram para ampliar a destruição. Os dois terremotos ocorreram em profundidades rasas, o que faz a energia chegar com mais intensidade à superfície. Entenda terremoto na Venezuela Arte/g1 Clique aqui para voltar ao início. Arquitetura 'chavista' A força dos terremotos explica parte da tragédia. Mas especialistas afirmam que as condições das construções também contribuíram para o número elevado de prédios destruídos. Parte da região mais afetada apresenta características geológicas que dificultam a construção de edifícios resistentes. O solo é formado por sedimentos que podem intensificar a vibração causada pelos terremotos. Além disso, conjuntos habitacionais construídos pelo governo e outros edifícios feitos sob fiscalização limitada também podem ter ampliado a tragédia. Especialistas afirmam que muitos empreendimentos foram construídos rapidamente durante a expansão dos programas habitacionais, com pouca transparência e fiscalização limitada. Segundo esses especialistas, anos de negligência e o descumprimento de normas de construção podem ter agravado os danos. Também apontam que a crise econômica enfrentada pelo país reduziu a capacidade técnica disponível para acompanhar e manter essas estruturas ao longo dos anos. Entre os locais mais atingidos está o complexo Urbanismo Hugo Chávez, em Catia La Mar. O empreendimento foi construído dentro do programa habitacional criado durante o governo de Hugo Chávez e ampliado por Nicolás Maduro. Grande parte desabou após os terremotos. Estudos e relatórios apontam que muitos complexos residenciais feitos pelo governo foram erguidos sem supervisão e fiscalização adequada. Algumas construções também foram feitas sem seguir a legislação própria para áreas arriscadas. Clique aqui para voltar ao início. Crise interna Um helicóptero decola de um navio da Marinha dos EUA atracado no porto para apoiar os esforços de socorro às vítimas do terremoto em La Guaira, Venezuela AP Photo/Matias Delacroix Os terremotos atingiram uma Venezuela que já enfrentava uma crise econômica, social e de infraestrutura há anos. Nos primeiros dias após os tremores, moradores relataram dificuldades para localizar familiares desaparecidos e reclamaram da falta de socorristas. Em muitos locais, os próprios moradores iniciaram os resgates antes da chegada das equipes especializadas. Especialistas afirmam que problemas acumulados ao longo dos últimos anos comprometeram a capacidade de resposta do Estado. Hospitais já enfrentavam falta de equipamentos, medicamentos e profissionais antes da tragédia. A deterioração da infraestrutura também dificultou os trabalhos de emergência. Apagões frequentes, interrupções no abastecimento de água e limitações nos serviços públicos afetaram o atendimento às vítimas e a organização das operações de resgate. Diante desse cenário, a ajuda internacional ganhou papel importante. Equipes de busca e salvamento de diversos países foram enviadas à Venezuela, acompanhadas de cães farejadores, equipamentos e toneladas de medicamentos e outros insumos. Clique aqui para voltar ao início. VÍDEOS: mais assistidos do g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/05/da-arquitetura-chavista-ao-colapso-economico-por-que-os-terremotos-da-venezuela-foram-tao-devastadores.ghtml


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