Exército de Israel ataca subúrbios de Beirute em meio à expectativa de acordo de paz entre EUA e Irã
14/06/2026
(Foto: Reprodução) Pessoas se reúnem no local de um ataque aéreo israelense que atingiu um apartamento em Dahiyeh, nos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, domingo, 14 de junho de 2026.
AP Photo/Bilal Hussein
O exército de Israel informou ter lançado ataques contra Beirute neste domingo (14), tendo como alvo a infraestrutura do Hezbollah, apesar dos esforços contínuos para negociar o fim da guerra entre os EUA e o Irã. Foi possível ver fumaça subindo sobre a capital libanesa.
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O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que os ataques foram uma resposta às investidas do Hezbollah no norte de Israel. Mais cedo, os militares israelenses haviam declarado que o grupo lançou três projéteis contra a região, divulgando imagens nas quais se ouve uma explosão seguida por uma coluna de fumaça.
O último ataque de Israel aos subúrbios de Beirute havia ocorrido há uma semana, desencadeando a escalada de combates mais grave desde o início do frágil cessar-fogo em 7 de abril. O Irã retaliou atacando Israel, e o governo israelense respondeu com novos ataques ao território iraniano no dia seguinte.
Desde essa troca de agressões, os EUA e o Irã avançaram em direção a um acordo. Em seu formato atual, o texto representa uma profunda decepção para o governo de Israel, que foi marginalizado nas negociações lideradas pelo Paquistão e outros países. O Irã exige que o pacto de cessar-fogo inclua os combates no Líbano, além de buscar a liberação de bilhões de dólares em fundos congelados.
O Hezbollah disparou mísseis contra Israel em 2 de março, dois dias após os EUA e Israel atacarem o Irã, dando início à guerra no Oriente Médio. As tropas israelenses aprofundaram sua invasão ao Líbano a um nível inédito em mais de um quarto de século.
Agora no g1
Mediadores aproximam Irã e EUA de um acordo
Mediadores do Catar viajaram a Teerã neste domingo para finalizar o acordo, segundo duas autoridades regionais.
As fontes, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a dar declarações à imprensa, expressaram um otimismo cauteloso de que os EUA e o Irã estejam finalmente próximos de um entendimento que possa interromper as hostilidades — as quais já deixaram milhares de mortos — e reabrir o Estreito de Ormuz, cujo fechamento desestabilizou os mercados mundiais.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmaram no sábado que o acordo seria assinado no domingo, enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou que isso poderia ocorrer nos próximos dias. Trump afirmou que o Estreito de Ormuz será aberto imediatamente após a assinatura.
Espera-se que o documento seja assinado eletronicamente, sem uma cerimônia presidencial presencial, embora ainda não esteja claro quando ou como o ato formal acontecerá.
Donald Trump diz que acordo com Irã será assinado domingo (14)
Reprodução/Redes sociais
Questões nucleares e outros pontos pendentes
O acordo não resolve as questões mais complexas entre os EUA e o Irã, incluindo o programa nuclear iraniano ou os ativos congelados, mas oferece uma estrutura de 60 dias para discussões técnicas sobre esses temas.
As informações são de autoridades paquistanesas e regionais familiarizadas com as negociações em curso, que falaram sob anonimato por falta de autorização pública. Os representantes descreveram o esforço de meses do Paquistão na liderança das negociações, lutando para evitar que ambos os lados abandonassem as reuniões e que o diálogo colapsasse totalmente em diversas ocasiões.
Sob os termos atuais em discussão, os EUA e Israel parecem não ter alcançado seus objetivos originais de destruir os programas nucleares e de mísseis do Irã, bem como de encerrar o apoio de Teerã a grupos aliados (proxies). Não está claro como o acordo abordará esses pontos ou se eles farão parte do texto final.
Críticos dentro do próprio Partido Republicano de Trump, que enfrenta o desgaste de uma guerra impopular antes das eleições legislativas de meio de mandato (midterms), criticaram o pacto. A
Alguns afirmaram que a proposta não melhora os termos do acordo nuclear com o Irã de 2015, do qual Trump retirou os EUA durante seu primeiro mandato e que ele ainda descreve como "ruim".
Enquanto isso, a expectativa é de que Trump discuta a remoção de minas no Estreito de Ormuz durante a cúpula do G7, que começa nesta segunda-feira. A rota marítima é crucial para o escoamento global de petróleo, gás natural e produtos derivados, como fertilizantes, e seu fechamento prático abalou a economia mundial.
O programa nuclear e o urânio altamente enriquecido do Irã estão há muito tempo no centro das tensões com os EUA e Israel, configurando uma preocupação internacional.
Nas redes sociais, Trump afirmou que "quando tudo estiver calmo", os EUA atuariam para "diluir e destruir" o urânio enriquecido, seja no Irã ou nos EUA.
De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, um passo técnico curto do nível de 90% necessário para armas nucleares.
O Irã sustenta há anos que seu programa nuclear tem fins estritamente pacíficos e não se comprometeu publicamente a abrir mão do urânio enriquecido, que se acredita estar armazenado sob três instalações nucleares subterrâneas severamente danificadas por ataques americanos no ano passado.