'Extermínio: O Templo dos Ossos' surpreende com terror mais psicológico e profundo; g1 já viu

  • 16/01/2026
(Foto: Reprodução)
"Extermínio: O Templo dos Ossos", chega aos cinemas nesta quinta-feira (15), pouco mais de seis meses do filme anterior da franquia, "Extermínio: A Evolução". A produção, apesar do retorno de Danny Boyle ("Quem quer ser um milionário?") e Alex Garland ("Guerra Civil"), diretor e roteirista do primeiro longa, de 2002, dividiu opiniões por não ser tão impactante quanto deveria. Só que, de maneira surpreendente, a quarta parte dessa série se revela superior ao filme de Boyle ao trabalhar melhor os elementos dramáticos e de terror. Mesmo não sendo inovadores quanto foram os que surgiram há 24 anos, eles são bem desenvolvidos, mantêm a tensão em alto nível e ainda levam o público a uma reflexão mais densa do que geralmente se vê em filmes do gênero. A trama começa exatamente onde parou "Evolução", quando o menino Spike (Alfie Williams) conhece o grupo liderado pelo estranho Jimmy Crystal (Jack O'Connell, de "Pecadores") e entra para a equipe só para perceber que seus novos companheiros não são exatamente o que parecem. Assista ao trailer do filme "Extermínio: O Templo dos Ossos" Ao mesmo tempo, o Dr. Kelson (Ralph Fiennes) estabelece uma inusitada relação com um dos zumbis, visando descobrir uma cura para o vírus que transformou boa parte da população em feras raivosas. Não demora muito para que os mundos de Jimmy e Kelman se choquem, o que provoca consequências graves para todos. Teletubbies do Mal O roteiro de "Extermínio: O Templo dos Ossos" (novamente escrito por Alex Garland), volta a trabalhar uma questão que só tinha sido melhor desenvolvida no filme original: a de que, no caso de haver um apocalipse (seja nuclear, zumbi, ou qualquer outro) no mundo, a maior ameaça são os próprios seres humanos. Isso acontece porque, nesse quarto episódio da franquia, não são as pessoas infectadas o principal problema do filme. Embora ainda sejam bastante perigosas para os humanos sobreviventes, com sua selvageria e desejo de sangue, o filme deixa claro que a loucura e o sadismo de Jimmy (que usa uma visão bastante distorcida sobre religião e fé para liderar) e seu grupo são ainda mais terríveis e aterrorizantes nesse ambiente desolador que o filme mostra. Jimmy (Jack O'Connell, no centro) comanda um grupo perigoso em 'Extermínio: O Templo dos Ossos' Divulgação É algo que fica bem claro numa sequência em que Jimmy lidera um ataque a uma fazenda onde moram pessoas que tentam se proteger dos zumbis. Com requintes de brutalidade, os seguidores do vilão não hesitam em maltratar e torturar suas vítimas de maneiras tenebrosas, simplesmente porque, como diz uma das integrantes do grupo a Spike, "É só o que sabem fazer". O que revela que a infecção zumbi também degradou aqueles que não foram contaminados pelo vírus. Também é curioso como o filme usa a forma distorcida que Jimmy usa uma lembrança do passado, no caso o programa infantil Teletubbies (quem viu "A Evolução" vai entender um pouco melhor essa alegoria) para atacar suas vítimas. Numa das cenas, ele faz com que uma de suas seguidoras imite a dança de um dos episódios do show da TV para intimidar seus prisioneiros, de uma maneira que dá um ângulo jamais pensado para uma (até então) inocente produção para crianças. Um bom jeito encontrado pelo roteirista para mostrar o clima de degradação moral que reina neste universo. O médico e os monstros O filme também ganha muitos pontos ao desenvolver melhor o Dr. Ian Kelson, interpretado por Ralph Fiennes, introduzido no longa anterior numa curta participação. Em "Templo dos Ossos", além de ter mais tempo de tela, o personagem tem uma história mais rica, onde o público vê questões sobre seu passado e, principalmente, como ele tenta encontrar alguma luz num mundo coberto pelas trevas. Dr. Kelson (Ralph Fiennes) tenta se comunicar com um zumbi numa cena de 'Extermínio: O Templo dos Ossos' Divulgação Alguns dos melhores momentos do longa estão nas cenas em que o médico inicia uma relação de conhecimento e aprendizagem com um dos chamados zumbis alfa, que ele chama de "Sansão", por lembrar o personagem bíblico. O objetivo é conhecer os segredos da infecção mortal e, se possível, encontrar o humano por baixo do monstro. Com mais uma ótima atuação em sua carreira, Fiennes consegue transmitir bem sua compaixão por seu inusitado novo amigo (interpretado por Chi- Lewis-Parry), assim como sua forma de buscar alguma lógica em meio à devastação que impera naquela região. Porém, a parte mais memorável do filme acontece em seu terço final e faz com que Fiennes, literalmente, incendeie a telona com uma sequência realmente incrível. Um dos pontos mais altos de todos os episódios da franquia, certamente, que vai impactar o público de uma maneira que ninguém esperava ver num filme de terror. Saber mais detalhes desse momento do longa estragaria parte da surpresa e o prazer de assisti-la. Ralph Fiennes protagoniza o terror 'Extermínio: O Templo dos Ossos', de Nia DaCosta Divulgação Quanto ao resto do elenco, Jack O'Connell mostra mais uma vez que se sai muito bem fazendo vilões irônicos e psicóticos e o menino Alfie Williams tem grande potencial para fazer uma ótima carreira como ator no futuro. Além de Fiennes, vale destacar a ótima direção de Nia DaCosta ("A Lenda de Candyman"), que trabalha bem tanto as questões de tensão e suspense quanto as dramáticas. Até porque ela tinha uma difícil missão de seguir a partir do ponto em que Danny Boyle "parou", sem deixar cair a qualidade. Felizmente, ela não só manteve o nível como conseguiu elevá-lo. Mesmo que, para alguns fãs do gênero, a cineasta pareça mais preocupada em fazer drama do que dar sustos, ela mantém o interesse do espectador do início ao fim da trama e renova o interesse pela franquia. O filme mostra que DaCosta está numa boa fase de sua carreira, não só por "Templo dos Ossos", mas também pelo elogiado drama "Hedda". Nada mal para quem passou por maus bocados devido ao fracasso de público e de crítica "As Marvels". Com um ótimo uso de canções de grupos como Duran Duran, Radiohead e Iron Maiden, além da boa trilha sonora de Hildur Guðnadóttir ("Coringa"), "Extermínio: O Templo dos Ossos" mostra que, mesmo sem ter maiores inovações para os filmes de zumbi, ainda tem muita coisa para ser explorada na franquia e alegrar os fãs. Só não pode cair nas armadilhas do gênero e entregar capítulos repletos de clichês. Por enquanto, está no caminho certo. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/g1-ja-viu/noticia/2026/01/16/exterminio-o-templo-dos-ossos-surpreende-com-terror-mais-psicologico-e-profundo-g1-ja-viu.ghtml


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