Família cruza mais de 30 países de veleiro em viagem que durou três anos

  • 15/08/2026
(Foto: Reprodução)
Empresária alagoana viaja o mundo em veleiro e já conheceu mais de 30 países Uma família dentro de um veleiro, o vento como principal combustível e mais de 30 países pela frente. O que começou como uma forma de viajar gastando pouco levou Ângela Seabra Cheloni, o marido, Daniel, e as filhas a uma aventura de três anos pelas Américas. (Assista acima) 📱Participe do canal do g1 Alagoas No caminho, eles enfrentaram uma tempestade que quase virou o barco em alto-mar, fortaleceram os laços familiares e construíram memórias que, anos depois, ajudariam Ângela a enfrentar a morte do companheiro para um câncer. A relação com as viagens começou justamente pela falta de dinheiro para bancar um roteiro convencional. Ao pesquisar alternativas, Ângela e Daniel descobriram que seria possível colocar a família em um veleiro e aproveitar a força do vento para percorrer grandes distâncias. “A gente descobriu que no veleiro você põe a família dentro e o vento leva. Você não usa diesel. Você usa o diesel só para manobra de emergência ou para entrar num porto ou numa marina”, contou. A decisão veio rápido. Primeiro, o casal comprou um veleiro pequeno para aprender a navegar. Ângela e Daniel chegaram a desmontar a embarcação para entender como tudo funcionava. Depois, adquiriram um barco maior e fizeram uma reforma completa. O plano inicial era passar cerca de um mês navegando nas proximidades, como forma de treinamento antes da grande viagem. Não foi o que aconteceu. “No dia seguinte, a gente pegou, engatou a primeira e fomos embora”, relembrou Ângela. Tempestade quase virou o veleiro Uma das situações mais perigosas da aventura aconteceu durante uma travessia na costa dos Estados Unidos. A família navegava pela região da Corrente do Golfo quando foi surpreendida por uma tempestade. Segundo Ângela, a corrente marítima seguia em uma direção enquanto a tempestade avançava no sentido contrário. O encontro das duas forças formou ondas violentas e fez a família perder o controle da embarcação. “Começou a levantar onda e a gente perdeu o controle do barco. Antes disso, a gente já tinha abaixado todas as velas e tirado tudo de cima do barco”, contou. Em determinado momento, uma onda atingiu a embarcação por trás e a levantou. “Quando o barco estava pronto para capotar, ele voltou e tudo de trás quebrou.” Com o impacto, foram destruídos equipamentos como o gerador eólico, a placa solar e o piloto de vento, sistema utilizado para auxiliar na condução do veleiro. Parte da estrutura traseira da embarcação também foi arrancada. A família se protegeu dentro do barco enquanto Daniel precisou sair para cortar os cabos dos equipamentos que haviam quebrado e continuavam batendo contra o casco. Apesar do susto e dos prejuízos, eles continuaram a viagem. ‘Um depende do outro’ Para Ângela, a experiência no mar fortaleceu uma relação familiar que já era próxima. Conviver em uma embarcação, enfrentar imprevistos e depender uns dos outros fez com que o casal e as filhas aprendessem a resolver rapidamente os conflitos. “A relação com o mar nos trouxe uma harmonia muito grande. Deu a noção de que um depende do outro e também que um tem que confiar no outro. Até hoje a gente é assim”, afirmou. Enquanto a família alternava períodos de navegação e retornos ao Brasil, outro projeto também crescia em Maceió: a pizzaria mantida por Ângela e Daniel. O negócio, que começou em uma pequena casa com poucas cadeiras, ganhou espaço ao longo dos anos e se transformou em um restaurante de culinária italiana conhecido na capital alagoana. Parte da história do estabelecimento, segundo Ângela, está justamente nos vínculos construídos ao longo das décadas. Há funcionários com anos de casa e clientes que começaram a frequentar o espaço ainda no início e hoje retornam acompanhados dos filhos e netos. “Aqui tem gente que trabalha com a gente há 35 anos. Tem cliente que veio aqui na primeira semana e continua vindo”, contou. Ela diz guardar especialmente as histórias de casais que começaram a namorar frequentando o restaurante e permaneceram juntos. “São pessoas que continuam vindo com os filhos e agora já estão vindo com os netos. É a nossa eternidade. É tão bonito.” A perda do companheiro Nenhuma das dificuldades enfrentadas durante as travessias, porém, se compararia à perda de Daniel. Depois de décadas ao lado de Ângela, ele morreu durante o tratamento contra um câncer. Os dois se conheceram quando ela tinha 17 anos e permaneceram juntos por 42 anos. “Ele foi o primeiro namorado, o primeiro beijo, o primeiro tudo. Eu adorava ele. Até hoje eu sou apaixonada por ele”, disse. Para Ângela, Daniel não era apenas o marido e pai das filhas, mas o parceiro em praticamente todos os projetos da vida. “Ele era um companheiro. A gente velejava junto, trabalhava junto. Eu aprendi a andar de bicicleta com 49 anos, aprendi com ele.” Viagens como forma de seguir Depois da morte do marido, foi justamente aquilo que os dois fizeram tantas vezes juntos que ajudou Ângela a continuar: viajar. Agora, grande parte das aventuras acontece por terra. Em uma das mais recentes, ela passou três meses percorrendo regiões montanhosas do México e mudando praticamente todos os dias de lugar. “É a minha vida. Eu durmo um dia em cada lugar. É cada paisagem, cada lugar, cada pessoa que você encontra”, afirmou. Mais do que os destinos, Ângela diz valorizar os encontros pelo caminho. São conversas com pessoas que, muitas vezes, nunca deixaram a própria comunidade, mas carregam experiências que ela considera capazes de ensinar tanto quanto qualquer viagem. E Daniel continua presente nessas jornadas. “Eu fico imaginando o Dan conversando com essas pessoas”, disse. Empresária já conheceu mais de 30 países Reprodução/ TV Asa Branca Alagoas

FONTE: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2026/08/15/familia-cruza-mais-de-30-paises-de-veleiro-em-viagem-que-durou-tres-anos.ghtml


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