Indecisão e medo de governar: o que fez Cleitinho não ser candidato, mesmo sendo líder nas pesquisas para governo de Minas

  • 29/07/2026
(Foto: Reprodução)
Cleitinho contradiz partido e diz que vai concorrer pelo governo de MG Líder nas pesquisas, o senador Cleitinho não será candidato ao governo de Minas Gerais por decisão do seu partido, o Republicanos. O senador, por sua vez, declarou que será candidato ao cargo. Pela legislação eleitoral, ele não pode trocar de legenda agora. A assessoria de Cleitinho ainda não informou se ele permanece no partido. Até chegar ao impasse desta quarta, a possível candidatura de Cleitinho foi marcada por idas e vindas. Interlocutores e adversários do senador atribuem a indefinição à hesitação em assumir a disputa e ao receio de governar um estado com dificuldades fiscais (entenda mais abaixo). Cleitinho confirma pré-candidatura ao governo de Minas Cleitinho (Republicanos-MG) Idas e vindas O Republicanos anunciou a sua pré-candidatura em 2 de março deste ano. Com uma votação expressiva para o Senado em 2022 — com mais de 4 milhões de votos — Cleitinho seria um trunfo para o partido melhorar sua performance nas eleições proporcionais. 🔎Nas eleições proporcionais, os votos ajudam a definir não apenas quais candidatos serão eleitos, mas também quantas cadeiras cada partido terá direito. É por esse sistema que são escolhidos deputados federais, estaduais, distritais e vereadores. Por isso, partidos buscam candidatos com grande potencial de votação para fortalecer suas chapas. Nesse cenário, Cleitinho passou a ser visto como um nome capaz de ocupar o espaço da direita mineira, diante do desgaste acumulado pelo governo Romeu Zema e do menor conhecimento do eleitorado sobre Mateus Simões (PSD), atual governador e candidato à reeleição. Antes mesmo do anúncio do partido, no fim de fevereiro, Cleitinho disse em entrevistas que só seria candidato se estivesse na frente nas pesquisas e se o deputado Nikolas Ferreira (PL) não fosse candidato ao governo. Desde o começo, o mundo político duvidava da manutenção da candidatura. A situação fiscal do estado de Minas é vista como crítica e o problema terá que ser enfrentado pelo próprio governador, o que pode levá-lo a perder a popularidade. 🔎Minas Gerais tem uma das maiores dívidas estaduais do país com a União. O tema domina o debate político no estado porque influencia investimentos, obras, reajustes salariais e as contas públicas. Nos últimos anos, diferentes governos tentaram encontrar uma solução para o passivo. No dia 1º de abril, Cleitinho publicou um vídeo nas redes sociais, negando sua desistência. "Estão falando que eu vou desistir. Será", afirmou o senador em frente ao Congresso Nacional. Enquanto falava, Cleitinho performava no vídeo um jogador de futebol aquecendo antes de entrar em campo. Em 10 de junho, Cleitinho foi à tribuna do Senado mais uma vez para tratar da suposta possibilidade de não ser candidato. "O que mais me chama a atenção por conta de alguns políticos que ficam soltando isso em Minas Gerais, falando: 'O Cleitinho está com medo de pegar um estado quebrado', é que são os mesmos que quebraram o estado e querem continuar tomando conta dele", afirmou. No mesmo discurso, voltou a condicionar sua candidatura à performance nas pesquisas. "Eu quero deixar bem claro que não tem nada, que eu não desisti, que não tem nada disso. Se for da vontade de Deus, como eu já cansei de falar, e da vontade do povo – liderando pesquisa –, claro que eu quero ser um pré-candidato a governador. Mas depende de Deus e depende do povo, é o povo que vai decidir". Com o apoio de Mateus Simões (PSD) à candidatura de Romeu Zema e a desistência de Nikolas Ferreira de ser candidato, o PL precisava de um palanque em Minas Gerais para a candidatura de Flavio Bolsonaro. O partido decidiu então negociar o apoio à candidatura de Cleitinho. Mas integrantes da Executiva Nacional receberam a resposta de que o senador só decidiria sobre sua candidatura "depois da Copa do Mundo". O Brasil foi eliminado pela Noruega em 30 de junho, mas Cleitinho permaneceu em silêncio. Procurado naquela ocasião, o presidente do diretório estadual do Republicanos, o deputado Euclydes Pettersen (REP-MG) disse que a candidatura do senador estava confirmada. No dia 8 de julho, então, Cleitinho voltou ao plenário do Senado e afirmou que poderia decidir só em 5 de agosto — último dia das convenções partidárias. Ele ainda criticou o presidente estadual do seu partido. "Se eu cheguei até aqui agora, foi Deus que me colocou aqui. Não foi grupo político, partido, dinheiro, empresário… Foi o povo que me colocou aqui. Se o Espírito Santo tocar meu coração e mandar eu vir, é o Espírito Santo e Deus que estão mandando eu vir”, declarou. No dia 18 de julho, Cleitinho perdeu o irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. A interlocutores, o senador teria informado que não tinha cabeça para fazer campanha e que estava de luto, sem sair de casa. No último sábado, 25 de julho, o Republicanos fez sua convenção estadual. Esta seria a oportunidade de confirmar a candidatura de Cleitinho ao governo. Mas ele sequer compareceu ao evento. Diante das incertezas, PL e Republicanos passaram a negociar apoio a Marcelo Aro (PP). A indefinição persistiu até a divulgação da pesquisa Quaest de terça (28), que mostrou Cleitinho na liderança da disputa. Após o resultado, o senador voltou a dar sinais de que poderia aceitar a candidatura. Na manhã desta quarta (29), porém, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (REP-SP), afirmou à GloboNews que Cleitinho não será candidato ao governo mineiro. A informação foi publicada no blog do Valdo Cruz. Pouco depois, as executivas nacional e estadual da legenda divulgaram uma nota na qual atribuem a decisão à falta de uma definição clara do senador e afirmam que a ausência dele na convenção estadual do partido produziu "consequências inevitáveis". Cerca de 40 minutos após a manifestação de Marcos Pereira, a assessoria de Cleitinho divulgou nota contradizendo o partido e afirmando que o senador continua disposto a disputar o Palácio Tiradentes — sede do governo de Minas. A divergência ocorre em meio às regras do calendário eleitoral. Embora senadores possam mudar de partido sem depender da janela partidária, a legislação exige que candidatos estejam filiados à legenda pela qual pretendem concorrer pelo menos seis meses antes da eleição. Em 2026, esse prazo terminou em 4 de abril. 🔎A janela partidária é o período em que deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. A regra não se aplica a senadores, governadores, prefeitos e presidente da República. Mesmo assim, candidatos precisam estar filiados ao partido pelo qual pretendem disputar a eleição dentro dos prazos definidos pela Justiça Eleitoral. 🔎O sistema eleitoral brasileiro não permite candidaturas sem partido. Para disputar uma eleição, o interessado precisa estar filiado a uma legenda e ter a candidatura registrada por ela na Justiça Eleitoral. Por isso, a participação de um candidato depende também da aprovação e do registro feitos pelo partido. Na prática, uma eventual candidatura de Cleitinho ao governo de Minas teria de ocorrer pelo Republicanos, partido ao qual ele estava filiado quando se encerrou o prazo de filiação partidária para a disputa deste ano. Além disso, a legislação brasileira não permite candidaturas avulsas, o que faz com que o registro dependa necessariamente de um partido político. A definição sobre a candidatura é considerada estratégica pelos partidos porque afeta diretamente a organização das campanhas proporcionais. A confecção de materiais gráficos, por exemplo, exige a definição prévia de quem será o candidato a governador da chapa e qual número será apresentado aos eleitores.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/29/indecisao-e-medo-de-governar-o-que-fez-cleitinho-nao-ser-candidato-mesmo-sendo-lider-nas-pesquisas-para-governo-de-minas.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Anunciantes