Neurologista explica como o crack age no cérebro: 'Euforia extrema' em até 15 segundos e potencial de dependência

  • 08/08/2026
(Foto: Reprodução)
Neurologista explica como o crack age no cérebro: 'Euforia extrema' em até 15 segundos Bastam de 10 a 15 segundos para que o crack chegue ao cérebro após ser fumado. O efeito quase imediato ajuda a explicar por que a droga provoca uma das dependências mais difíceis de superar. "O efeito é muito rápido. A pessoa acaba de fumar o crack e, em oito segundo está no pulmão, e em cerca de 10 a 15 segundos, ele já está no cérebro. Primeiro, dá uma euforia extrema porque ativa o sistema de recompensa", explica o neurologista Mário Silva Jorge. O médico é um dos entrevistados do terceiro episódio da série especial do Link Vanguarda, da Rede Vanguarda, sobre o consumo de crack. No primeiro episódio, uma psicóloga especialista em saúde mental e dependência química explicou porque a droga vicia tão rapidamente e como afeta a vida de usuários e familiares. Já a segunda reportagem mostrou por que o enfrentamento ao problema vai além da atuação policial e discutiu, com uma socióloga, os desafios para combater o consumo da droga. Cenas registradas pela reportagem mostram o consumo de crack no interior de SP. Reprodução/TV Vanguarda Agora, a reportagem explica como o crack age no cérebro e apresenta os caminhos para o tratamento de quem deseja deixar a dependência. O médico afirma que justamente essa rapidez faz com que o crack tenha um dos maiores potenciais de dependência entre as drogas. "Quando passa o efeito do crack, esse sistema diminui a função. O cérebro quer sentir prazer de novo e a pessoa pensa em fumar outra vez. Por isso o crack vicia muito mais rápido e de forma muito mais intensa do que outras drogas." Além da dificuldade para abandonar o vício, o uso prolongado pode causar consequências graves para a saúde. Entre elas estão aumento do risco de AVC, crises convulsivas, ansiedade, depressão, transtornos psiquiátricos e perda progressiva da memória, da atenção e da capacidade de planejamento. No fim da reportagem, veja também o posicionamento na íntegra do Ministério da Saúde e do Governo do Estado de SP sobre o tema. O neurologista Mário Silva Jorge explica como o crack age no cérebro e por que a droga tem alto potencial de dependência. Reprodução/TV Vanguarda Por que o crack provoca uma dependência tão forte? Segundo o neurologista, a droga provoca uma descarga intensa de substâncias ligadas à sensação de prazer, principalmente a dopamina. Quando esse efeito passa, o cérebro tenta recuperar essa sensação. "Quando passa o efeito do crack, esse sistema diminui a função. O cérebro fala: 'Eu quero sentir prazer de novo'. Então a pessoa pensa em fumar outra vez. Por isso o crack vicia muito mais rápido e de forma muito mais intensa do que outras drogas." Por que é tão difícil abandonar o consumo? Para o especialista, justamente por provocar uma sensação de prazer muito superior à de atividades comuns do dia a dia. "É uma droga muito prazerosa e ativa muito esse sistema. Então é mais difícil de um indivíduo se libertar do consumo dessa droga." O que acontece com o cérebro de quem usa crack por muito tempo? O médico afirma que os efeitos vão além da dependência e comprometem funções importantes do cérebro. "O uso do crack aumenta o risco de AVC, de crises convulsivas e de doenças psiquiátricas. A pessoa vai perdendo memória, atenção e as funções executivas. Vai deteriorando esse cérebro de uma maneira progressiva e rápida." Os danos podem ser permanentes? Segundo Mário Silva Jorge, o tempo de uso faz diferença no prognóstico. "Dependendo da fase em que a pessoa está, essas lesões podem ser irreversíveis." Por que alguns usuários apresentam dificuldade para andar ou movimentos involuntários? O neurologista explica que o consumo prolongado também afeta áreas responsáveis pelo controle dos movimentos. "Como ele vai lesando essas regiões do cérebro, a pessoa pode ficar endurecida, rígida ou apresentar distonias, que são movimentos involuntários." Como funciona o tratamento O tratamento para dependência de crack é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e envolve atendimento médico, psicológico e assistência social. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a porta de entrada é a rede municipal, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Os Caps funcionam em regime de porta aberta, ou seja, não é necessário encaminhamento médico nem agendamento para iniciar o atendimento. Após uma avaliação feita por uma equipe multiprofissional, cada paciente recebe um plano terapêutico individualizado, que pode incluir consultas médicas, acompanhamento psicológico, atividades em grupo e, quando necessário, tratamento medicamentoso. Em casos de intoxicação ou crises de abstinência, o atendimento é realizado nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais. Quando o tratamento ambulatorial não é suficiente, o paciente pode ser encaminhado para internação, conforme avaliação médica. Cenas registradas pela reportagem mostram o consumo de crack em São José dos Campos. Reprodução/TV Vanguarda Na região Além da rede de saúde, municípios como São José dos Campos mantêm equipes de abordagem social que atuam nas ruas oferecendo acolhimento e encaminhamento para tratamento. Segundo a prefeitura, são 17 equipes que realizam busca ativa de pessoas em situação de rua. Quando o usuário aceita ajuda, ele é encaminhado para abrigos e, posteriormente, para tratamento especializado. "O melhor para ele é o tratamento. Aí vincula-se para comunidades terapêuticas, que são ligadas à saúde", afirma o secretário de Apoio Social ao Cidadão de São José dos Campos, Leandro Ray. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, entre janeiro e maio de 2026 foram registradas 10.961 internações por dependência química em São Paulo, sendo 395 no Vale do Paraíba. Em 2025, foram 27.701 internações em todo o estado e 893 na região. Onde buscar atendimento São José dos Campos CAPS Álcool e Drogas (CAPS AD) 📍 Rua Pituba, 100 – Jardim Satélite 🕒 Atendimento 24 horas ☎️ (12) 3913-5519 | (12) 3931-4211 Serviço Ambulatorial para Adolescentes (SAMA) 📍 Praça Ana Berling de Macedo, 282 – Jardim Jussara 🕒 Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h ☎️ (12) 3942-8231 Taubaté Segundo a Secretaria de Saúde, o CAPS AD III 24 horas realizou 17.028 atendimentos relacionados à dependência química em 2026, além de 137 consultas psiquiátricas. CAPS AD III 24h 📍 Rua 4 de Março, 477 – Centro 🕒 Atendimento 24 horas ☎️ (12) 3631-6645 CAPS II 📍 Avenida Monteiro Lobato, 34 – Chácara do Visconde 🕒 Das 7h às 17h ☎️ (12) 3632-1368 CAPS Infantojuvenil 📍 Rua Dinorá Pereira Ramos Brito, 363 – Jardim das Bandeiras 🕒 Das 7h às 17h ☎️ (12) 3622-2802 Neurologista explica que o crack chega ao cérebro em poucos segundos e pode causar dependência rapidamente. Reprodução/TV Vanguarda Veja o posicionamento na íntegra enviado pelo Ministério da Saúde sobre o tema: O SUS oferta ações de prevenção, acompanhamento clínico, psicológico e social, redução de danos e reinserção social para pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. Atualmente, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) conta com 3.110 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 90 Unidades de Acolhimento (UA) e 993 Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT). Desde 2023, o Ministério da Saúde ampliou em 23% os serviços da RAPS, fortalecendo o acesso ao cuidado em todo o país. Devido à expansão dos serviços, o número de atendimentos ambulatoriais relacionados ao uso de cocaína e crack mais do que dobrou nos últimos anos. Segue, em anexo, tabela com os dados anuais de atendimentos ambulatoriais relacionados a transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de cocaína e crack. Os números não representam o total de pacientes, pois uma mesma pessoa pode realizar mais de um atendimento ao longo do período. Em relação ao perfil dos pacientes, entre 2021 e abril de 2026, foram registrados 125.219 atendimentos de homens e 33.349 de mulheres no Brasil. No estado de São Paulo, no mesmo período, foram registrados 48.905 atendimentos de homens e 8.982 de mulheres. A faixa etária com maior número de registros, tanto no Brasil quanto no estado de São Paulo, foi a de 31 a 34 anos. Veja o posicionamento na íntegra enviado pelo governo do estado de SP sobre o tema: A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) lançou, em 2024, a Linha de Cuidado Integral a Adultos com Necessidades Relacionadas ao Uso de Crack, Álcool e Outras Drogas em Cenas Abertas de Uso. A Pasta destaca que a porta de entrada para o tratamento do alcoolismo no Sistema Único de Saúde (SUS) é a Atenção Básica, por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), administradas pelos municípios. A Raps está presente em todo o estado e é de responsabilidade dos municípios, cabendo ao Estado apoiar e fortalecer a rede. Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) também podem ser procurados para avaliação e acompanhamento, quando necessário. Além disso, os serviços da rede, desde as UBSs até as unidades de urgência e emergência dos hospitais gerais, estão aptos a atender pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas, realizando o encaminhamento para os serviços especializados quando houver indicação. Quando há necessidade de atendimento de alta complexidade em hospital de referência, o paciente deve ser encaminhado pelo serviço de origem. A definição da unidade de referência é realizada com base no quadro clínico e nas necessidades assistenciais de cada paciente. Atendimentos De janeiro a maio de 2026, foram registradas 10.961 internações por dependência química no estado. No mesmo período, os municípios abrangidos pelo Departamento Regional de Saúde (DRS) de Taubaté contabilizaram 395 internações. Em 2025, foram registradas 27.701 internações por dependência química no estado e 893 nos municípios pertencentes ao DRS de Taubaté. Em 2024, o total foi de 24.812 internações no estado de São Paulo e de 780 nos municípios abrangidos pelo DRS de Taubaté. Assistência social Desde 2023, o Governo de São Paulo estruturou uma rede de cuidados com diferentes níveis de acolhimento e assistência continuada para atender pessoas com dependência química. A estrutura é planejada continuamente, com base técnica e análise de dados para garantir encaminhamento, acompanhamento e suporte à reinserção social das pessoas acolhidas. Os investimentos entre 2023 e 2026 na rede de atenção a esse público somam mais de R$ 243,5 milhões e abrangem serviços variados, como Casas Terapêuticas, Serviço de Acolhimento Terapêutico Comunitário e Híbrido, Espaço Prevenir, Casas de Passagem e Repúblicas. Em São José dos Campos, a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) é responsável por 4 Serviços de Acolhimento Terapêutico Híbrido Masculino, com 185 vagas; 1 Serviço de Acolhimento Terapêutico Híbrido Feminino, 37 vagas; 1 República Masculina, 12 vagas; 1 República Feminina, 12 vagas; e 1 Espaço Prevenir, com capacidade para atender 200 pessoas por mês. Desde 2023, os equipamentos da região já atenderam mais de 3.847 pessoas. Apenas em 2026, foram 563 atendimentos. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/08/08/neurologista-explica-como-o-crack-age-no-cerebro-euforia-extrema-em-ate-15-segundos-e-potencial-de-dependencia.ghtml


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