'O Agente Secreto': conheça o Cinema São Luiz, destaque no filme vencedor do Globo de Ouro
12/01/2026
(Foto: Reprodução) Conheça o Cinema São Luiz
Ícone da cultura pernambucana, o Cinema São Luiz, localizado no Centro do Recife, ganhou destaque com o recente sucesso internacional do filme "O agente secreto". O longa-metragem, que já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas no Brasil, fez história ao ganhar dois prêmios no Globo de Ouro 2026, no domingo (11), em Los Angeles.
O filme, dirigido pelo recifense Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, conquistou as estatuetas de melhor filme em língua não-inglesa e de melhor ator em filme de drama. Com o prêmio, o ator baiano se tornou o primeiro brasileiro a vencer na categoria masculina de atuação no Globo de Ouro. Em 2025, Fernanda Torres foi a primeira brasileira a ganhar o prêmio de melhor atriz com "Ainda estou aqui".
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"O agente secreto" tem, em sua maioria, a cidade do Recife como cenário. A trama envolve as memórias urbanas da capital, trazendo para as telas pontos históricos, como os cinemas de rua que atravessam gerações. Entre eles está o Cinema São Luiz, um dos mais tradicionais espaços culturais da cidade.
Inaugurado em 1952 no térreo do Edifício Duarte Coelho, o cinema foi reaberto para o público em novembro de 2024, após passar dois anos em reforma.
O equipamento cultural também é bastante mencionado no documentário "Retratos Fantasmas", filme de Kleber Mendonça Filho anterior a "O agente secreto", lançado em 2023 e escolhido do Brasil para disputar o Oscar.
Vista aérea do Cinema São Luiz, no Recife
TV Globo/Reprodução
Para além de cenário, o Cinema São Luiz também pode ser considerado um personagem em "O Agente Secreto".
Cenas cruciais do filme ocorrem dentro do cinema, que acolhe personagens centrais da trama. É lá, inclusive, que trabalha como projecionista Seu Alexandre (Carlos Francisco), sogro de Marcelo/Armando, personagem de Wagner Moura.
Em entrevista ao g1 em 2024, Kleber Mendonça Filho disse que, para ele, o espaço funciona como um portal para o passado e história do Recife.
"Acho que o São Luiz é uma espécie de transporte para a cultura e para o passado da própria cidade. Então, é como se todo mundo entrasse aqui e isso aqui fosse um grande navio. Ao entrar aqui, você vai numa viagem que pode durar duas horas, uma hora e meia e, no final, você é devolvido exatamente para onde você estava: o Recife. Talvez a sua visão do Recife mude pelo simples fato de você ter vindo ao Cinema São Luiz. É um navio. É um Transatlântico", disse o diretor.
A fala do cineasta recifense foi dada antes do lançamento do longa-metragem que ganharia o Globo de Ouro em 2026. Mas, em suas palavras, já existia um sentimento retratado na tela por "O Agente Secreto": o cinema como refúgio da história.
Ele também pontua a característica de o São Luiz ser muito fotogênico, e considerado uma das salas de cinema mais bonitas do Brasil.
Localizada na Rua Aurora, de frente para o Rio Capibaribe, que corta a cidade, sua fachada divide a paisagem com outros prédios históricos da cidade e não é possível ser ignorada.
O letreiro branco com letras vermelhas chama a atenção de quem passa, contando ao recifenses os filmes em cartaz e, por vezes, marcando partes da história, como quando, na pandemia, lia-se "Cuidem-se. Em breve estaremos juntos".
A entrada do cinema é marcada por duas colunas, que dão sustentação ao Edifício Duarte Coelho, e pela porta de vidro com suntuosas molduras douradas. Quem entra se depara com um grande painel de Lula Cardoso Ayres e um luxuoso revestimento de mármore branco que envolve o chão, colunas e paredes.
Com uma única sala de exibição, o público é guiado às poltronas por um tapete vermelho. Já a tela do cinema é emoldurada por vitrais coloridos em formato de jarros de flores, de autoria de Aurora de Lima. Antes das sessões, eles são acesos e dão um show à parte.
As luminárias são em bronze e as paredes têm revestimento em jatobá. Além disso, o teto é coberto por grandes peças de tapeçaria.
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O prédio foi tombado como monumento histórico pelo governo de Pernambuco em 2008. Ele é palco de diversos festivais de cinema e continua atraindo público apaixonado pela sétima arte. Com ingressos a preços acessíveis, a sala do São Luiz funciona, atualmente, nos finais de semana.
Com uma programação que celebra filmes nacionais e internacionais, o público consegue conferir uma curadoria alternativa feita nos cinemas comerciais. A sala é gerenciada pelo gestão estadual e, no balanço de 2025, teve 272 sessões de cinema realizadas. Dessas, 112 foram gratuitas e as outras 160 comerciais.
Sem contar com as mostras e festivais, 248 filmes foram exibidos na tela emblemática, sendo 55 longas-metragens brasileiros e 33 longas pernambucanos. O público total para o ano foram de 33.692 pessoas.
Cinema São Luiz após reforma que durou dois anos
Reprodução/TV Globo
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