Polícia apreende carro que teria sido utilizado em assassinato de policial carbonizado na Grande Fortaleza

  • 15/08/2026
(Foto: Reprodução)
Quem é a PM presa por envolvimento na morte de policial encontrado carbonizado no CE A polícia apreendeu, na tarde desta sexta-feira (14), em Fortaleza, um carro suspeito de ter sido utilizado no assassinato do soldado Raphael Sampaio da Silva, morto a tiros e carbonizado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, estão presos por suspeita de envolvimento do crime, que aconteceu na última terça-feira (11). ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O veículo, que pode ser uma nova pista para esclarecer como ocorreu a morte do soldado, foi localizado próximo à Avenida Washigton Soares, na região do bairro Messejana. "O automóvel foi periciado no local e recolhido. Equipes da Polícia Militar, da Perícia Forense e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa foram ao local em que o veículo foi encontrado", disse a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS). A polícia não esclareceu quem seria o proprietário do veículo e em que circunstância o automóvel foi utilizado no homicídio do militar. A morte de Raphael é investigada pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP/DHPP). LEIA TAMBÉM: Como PM presa passou de vítima de sequestro a principal suspeita da morte de soldado carbonizado na Grande Fortaleza Tia afirma que policial carbonizado tinha caso extraconjugal com PM presa: ‘Não justifica a morte’ PM suspeita de morte de policial carbonizado é investigada por vender contas falsas em app de transporte De vítima a suspeita Policial militar Júlia Natália Girão Gomes, presa suspeita de envolvimento na morte de soldado carbonizado em carro. Reprodução Júlia Natália era colega de equipe de Raphael Sampaio e do mesmo batalhão militar que ele fazia parte. Os dois, inclusive, haviam trabalhado juntos horas antes do homicídio. Inicialmente a polícia acreditava que ela teria sido vítima da mesma ação criminosa que resultou na morte de Raphael, pois ela foi localizada em Aquiraz com as mãos amarradas e pedindo ajuda aos moradores. Aos investigadores, Júlia disse que saiu do expediente às 2h da madrugada da terça-feira com o soldado Raphael pois pediu uma carona a ele. Em determinado local, que ela não lembra qual, os dois teriam sido abordados por criminosos, que teriam matado o soldado e arrancado, pelos cabelos, a policial de dentro do carro. Júlia alegou que foi amarrada e colocada no porta-malas de outro veículo. No entanto, a policial não soube dar detalhes sobre os supostos criminosos que a amarraram e mataram Raphael. Ao ser encontrada, Júlia "aparentava estar muito abalada e perguntando constantemente como estava o SD [soldado] Raphael", conforme um termo de depoimento do responsável pela investigação em que o g1 teve acesso. Em novo depoimento, Júlia se recusou a responder algumas perguntas dos investigadores, disse que não lembrava de fatos importantes do crime, argumentou que só falaria na presença de um advogado e também usou o direito de ficar em silêncio. "[...] com a manifesta contradição das declarações realizadas pelas equipes policiais, esta autoridade policial entendeu por dar voz de prisão a Soldado JULIA, uma vez que as diligências policiais demonstraram que a dinâmica dos fatos apontados pela SD JULIA ia de encontro com as informações policiais", relatou o processo do caso. Assim, Júlia passou de vítima de sequestro à primeira suspeita presa pela morte do soldado Raphael Sampaio. Imagem mostra policial militar em oficina no horário próximo ao que o corpo do PM foi encontrado carbonizado. Reprodução Além das contradições nos depoimentos, imagens refutam as versões apresentadas pela policial. Ela foi filmada, na manhã da terça-feira, na oficina do marido (imagem acima). Outro vídeo mostra o casal deixando a filha deles na escola no momento em que ela alegou estar amarrada no matagal (veja abaixo). Vídeo: PM e marido deixando filha na escola no horário em que ela alegou estar amarrada. Advogado detido O advogado Walmir Medeiros foi detido, na manhã desta sexta-feira (14), após tentar entregar um aparelho celular para a cliente — a soldado Júlia Natália Girão Gomes. Walmir Medeiros foi detido em flagrante ao tentar entregar um aparelho celular para Júlia, buscando facilitar a comunicação dela com terceiros e foi conduzido para a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Na unidade, ele foi liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ingressar ou facilitar a entrada de aparelho de comunicação, sem autorização legal, em unidade prisional, conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Segundo a pasta, o celular que ele tentou entregar para Júlia Natália foi apreendido. Ele foi autuado por crime contra a administração pública. A secretaria também informou que o advogado tinha antecedente criminal por lesão corporal dolosa no contexto da Lei Maria da Penha. Walmir Medeiros negou que tenha levado um celular para a cliente presa. Ele alegou que precisou se ausentar da sala onde estava conversando com a policial e esqueceu o próprio celular em cima de uma mesa. Júlia teria aproveitado e pegado o aparelho para ligar para a própria sogra. "Eu não levei um celular para ela. Esqueci o meu celular em cima da mesa, e ela ligou para a sogra. Quando eu voltei, o sargento falou: 'doutor, o senhor entregou o celular para ela?'. Eu falei: 'eu? Eu não trouxe nenhum celular'. É o meu. Ele falou: 'não, o seu celular está apreendido. Eu falei: 'sem problema'. Eu não entreguei o celular para ela", disse o advogado. "Eu falei [para a cliente]: 'o que você fez? Ligou para quem?'. Ela falou: 'eu liguei para minha sogra. Perguntei como estava minha filha, para trocar minha filha de colégio'. Foi isso que ela disse que falou com a sogra", complementou. Coronel da reserva do Exército Brasileiro, o advogado teve atuação em casos importantes na defesa de policiais militares, como no julgamento dos réus da Chacina do Curió, com agentes acusados pela morte de 11 pessoas na periferia de Fortaleza, em 2015. Advogado Walmir Medeiros fazia defesa de PM que alegou estar amarrada após morte de policial, em Fortaleza. Reprodução O que dizem os órgãos Procurada pelo g1, a Associação dos Profissionais da Segurança (APS), ao qual o advogado era vinculado, informou que Walmir Medeiros foi imediatamente afastado de todas as funções exercidas na associação. A instituição afirmou que o coronel fez visita à soldado Júlia após uma orientação expressa para que ele se afastasse completamente do caso. Isso porque a associação tinha decidido encerrar a assistência jurídica prestada à policial e à família do soldado Raphael Sampaio, pois ambas as partes eram associadas (leia a nota na íntegra no fim da reportagem). A Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-CE) disse que tomou conhecimento da condução do advogado, regularmente inscrito em seus quadros, para prestar esclarecimentos perante a Polícia Militar do Ceará - 1ª Companhia do 5º Batalhão. A entidade disse que, logo, colocou-se à disposição de Walmir. "Contudo, a OAB-CE esclarece que o profissional recusou formalmente, por duas vezes, a intervenção e o apoio institucional oferecidos. Diante da recusa expressa do interessado, e em respeito à sua autonomia de vontade, a entidade não se fez presente no local, permanecendo, todavia, integralmente à disposição para prestar o suporte que se fizer necessário, tão logo seja solicitada", explicou a entidade. Por fim, a OAB-CE ressaltou que "não compactua com qualquer conduta incompatível com a ética, a dignidade ou os deveres da advocacia. Caso seja confirmada a prática de infração disciplinar por profissional regularmente inscrito em seus quadros, serão adotadas as medidas cabíveis, nos termos da Lei nº 8.906/94 e das demais normas aplicáveis". Relembre o caso Júlia Natália Girão Gomes, Raphael Sampaio da Silva e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior Reprodução O soldado PM Raphael Sampaio da Silva, 27, teve o corpo encontrado carbonizado em um carro, no bairro Ancuri, em Itaitinga, na região metropolitana de Fortaleza, horas antes da prisão de Júlia. A soldado, que foi admitida na Polícia Militar do Ceará em novembro de 2024, foi autuada em flagrante por homicídio na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, em Fortaleza. Júlia Natália já respondia por outros crimes: estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integrar organização criminosa, segundo a Secretaria da Segurança. O marido da PM também é investigado por ligação com o homicídio e foi ouvido por policiais civis, no DHPP, na noite da terça. Ele já responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Infográfico: PM é encontrado carbonizado dentro de carro no Ceará Arte/g1 Durante o velório de Raphael Sampaio, nesta quinta-feira (13), a tia da vítima, Rosilane Sampaio, afirmou em entrevista à TV Verdes Mares que o soldado possuía um relacionamento extraconjugal com a policial Júlia Natália. “Houve sim uma relação extraconjugal, mas não quer dizer que merecia a morte. Nem ela merecia a morte; o marido matá-la, ou a mulher [do soldado] descobrir e ir lá matá-la”, lamentou Rosilane. Investigação Júlia Natália apareceu em uma área de mata, em Aquiraz, horas após o corpo do soldado Raphael Sampaio ser encontrado carbonizado em Itaitinga. Reprodução A SSPDS informou que exames periciais realizados pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) no corpo de Raphael Sampaio da Silva não constataram "nenhuma amputação traumática". "A perícia encontrou lesões por arma de fogo feitas na vítima ainda em vida, com posterior carbonização do corpo", informou. A investigação segue a cargo da Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), que realiza diligências e oitivas para elucidar todas as circunstâncias do fato, segundo a Secretaria. Soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um carro, estava na Polícia Militar desde junho de 2022. Reprodução Confira a íntegra da nota da APS "A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) informa que, diante da incompatibilidade existente no caso envolvendo os associados SD Sampaio e SD Júlia, decidiu encerrar a assistência jurídica prestada à SD Júlia. A decisão foi comunicada à associada e ao advogado Cel. Medeiros, que recebeu orientação expressa para se afastar completamente do caso, inclusive de eventual atuação particular enquanto permanecesse como colaborador da APS. Apesar da determinação, o advogado realizou, nesta sexta-feira, 14 de agosto, visita à SD Júlia sem autorização da Diretoria. Diante do descumprimento das orientações institucionais, o Cel. Medeiros foi imediatamente afastado de todas as funções exercidas na APS." Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/08/15/policia-apreende-carro-que-teria-sido-utilizado-em-assassinato-de-policial-carbonizado-na-grande-fortaleza.ghtml


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