Terremoto na Venezuela: número de mortos sobe para 3,5 mil; 150 pessoas são enterradas sem identificação
06/07/2026
(Foto: Reprodução) Fantástico acompanha angústia e desafios na Venezuela pós-terremoto
O número de mortos pelo duplo terremoto na Venezuela subiu para 3.535, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (6) pelas autoridades do país. A tragédia deixou ainda 16.740 feridos e 17.854 desabrigados.
Os dois potentes tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram o desabamento de prédios em Caracas e devastaram o estado vizinho de La Guaira, onde moradores ainda tentam recuperar os corpos de familiares soterrados sob os escombros.
Em uma rede social, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, publicou dados atualizados do desastre. Segundo ele:
6.462 pessoas foram resgatadas;
86.794 famílias foram atendidas;
17.854 pessoas estão desalojadas;
190 edifícios desmoronaram;
856 construções foram afetadas.
Segundo uma plataforma criada por uma iniciativa popular, cerca de 30 mil pessoas continuam desaparecidas. Os números não foram confirmados pelo governo.
Corpos enterrados sem identificação
Venezuelanos buscam por vítimas do terremoto de 24 de junho quase 15 dias após o desastre
Martin Bernetti/AFP
No domingo (5), mais de 150 corpos sem identificação foram enterrados em uma longa fileira de valas individuais em um cemitério da Venezuela.
No município de Catia La Mar, em La Guaira, um grupo de homens trabalhou com máquinas retroescavadeiras para abrir valas em uma área afastada de terra seca no cemitério local de La Esperanza.
Eli Zavala, morador do local, contou à AFP que no dia seguinte aos terremotos, começaram a abrir as covas "para que todas essas pessoas tivessem sepulturas dignas".
Os locais dos enterros "estão numerados por parcelas e também pelo código" definido para que os corpos não identificados sejam localizados por seus familiares.
As autoridades também tiraram fotos de cada um dos cadáveres antes de seu sepultamento.
Os retângulos são delimitados por pedras brancas. Em cada túmulo, há um pequeno buquê de flores ao pé de uma austera cruz branca, com uma placa que traz a inscrição "Identificação especial" e a data do falecimento, 24 de junho de 2026.
'Não haverá convulsão social'
Equipes de resgate trabalham no local de um complexo de edifícios que desabou após os terremotos de 24 de junho, em La Guaira, Venezuela
REUTERS/Ricardo Arduengo
A magnitude da tragédia sobrecarregou a capacidade dos necrotérios e dos hospitais. Um depósito improvisado para armazenar os corpos foi habilitado esta semana nos armazéns do porto de La Guaira.
Neste 5 de julho, os venezuelanos comemoraram a data de sua independência em meio à tragédia.
Em um ato realizado com a bandeira da Venezuela hasteada a meio mastro, a presidente interina, Delcy Rodríguez, descartou uma convulsão social frente às reclamações dos afetados.
"Não haverá convulsão social, aqui o que existe é a solidariedade social profunda do nosso povo", disse Rodríguez, que assumiu o poder depois da captura de Nicolás Maduro, no começo do ano, em uma operação realizada pelos Estados Unidos.
Na região devastada pelo terremoto, muitos moradores expressaram à AFP sua indignação pela atuação das autoridades.
Neste domingo, a população foi a missas fúnebres em todas as igrejas do país e em vários locais está previsto o acendimento de velas esta noite.
Em La Guaira, os moradores seguem tentando recuperar os corpos de seus entes queridos em meio aos escombros em condições cada vez mais difíceis.
"Isto é horrível (...), mas não me mexo daqui porque sei que está aí. Encontrei sua moto, encontrei seu capacete, ele está aí, Deus queira que com vida. Se não, (quero) pelo menos encontrá-lo, vê-lo, a gente precisa dar a eles seu descanso eterno", disse à AFP Zuly, uma mulher que procura seu filho de 23 anos, que trabalhava em uma padaria.
Desde o dia do duplo terremoto, ela dorme com uma filha em uma praça vizinha à padaria destruída, esperando encontrá-lo. "Daqui não saio sem o meu filho", diz esta mãe.